segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Pesquisa: onde comprar motivação?

    Hoje, foi especialmente difícil sair da cama. Tudo aquilo em que pensava era poder afundar-me no colchão e ficar adormecida, para que nada me pudesse magoar. Ainda assim, levantei-me, quase com as pernas a arrastar e a tentar encontrar a motivação para enfrentar mais um dia. 

    Motivação... uma palavra engraçada, que me atormenta já há alguns meses. Ou melhor, a falta de motivação atormenta-me. São mais os dias em que motivação não faz parte do vocabulário do dia do que aqueles em que faz. E torna-se difícil enfrentar até as mais pequenas adversidades, sejam elas trabalhar naquele dia, ou simplesmente sair da cama para lavar os dentes e tirar o pijama. 

    E, sim, está tudo bem em ter dias em que não somos produtivos, que não tiramos o pijama, que não fazemos nada a não ser ver séries e dormir. São dias em que nos sentimos cansados e está tudo bem. O problema está quando estes dias viram hábitos, também porque nos sentimos cansados. Mas não é um cansaço físico, é um cansaço psicológico. Aqui, não há descanso que compense, porque por mais horas e dias que a gente descanse, ele vai estar sempre presente, como aquela pedra chata no sapato que é demasiado pequena para sair, mas que sentimos ainda mais do que se fosse uma grande.

    E vem aquele sentimento de culpa, ainda que tenhamos consciência que não temos culpa alguma. Esse sentimento horrível, que nos assombra de noite e de dia. Até tudo se tornar num ciclo e aí torna-se demasiado difícil de sair. Já quase que sentes que ninguém espera melhor de ti, nem tu próprio esperas melhor de ti. A culpa aumenta e o nosso cérebro (irracional, neste ponto) alimenta-se de todos estes pensamentos negativos. Então, o dia seguinte vira mais um dia de não fazer nada. Eu chamo-os de dias não. Ou dias cocó (este nome foi uma adaptação de uma expressão que a minha melhor amiga usa para definir o mood dela). Dias de merda, portanto. E aí já não está tudo bem. Não está tudo bem com a nossa saúde mental e o ponto em que este ciclo começa e o ponto em que nós, finalmente, admitimos que não está tudo bem estão demasiado afastados.

    Temos ainda muito aquela mentalidade de deixar arrastar, especialmente no que toca à saúde mental. Dói-me um dente? Provavelmente, não é nada. Dói-me constantemente a cabeça? Ah, isto passa. Tenho vontade de passar o dia na cama, a chorar, por razão nenhuma aparente? É só uma fase, vai passar. Mas não vai passar. Pelo menos, não assim. E, quando vemos isso com clareza, não é que seja tarde demais, mas o processo de tratamento e cura será muito mais complexo e demorado. Porque, em vez de aspiramos todo o pó assim que o vimos, apenas o varremos para debaixo do tapete. E esse pó vai acumulando, acumulando, até o tapete não esconder mais pó possível. E, é aí que vemos um pouco de pó fora do tapete, mas existe muito mais debaixo dele, nós não o conseguimos ver, porque varremos muito bem para debaixo do tapete, mas ele está lá e está a provocar estragos. 

    Claramente, que temos de aprender a cuidar mais de nós próprios. E quando digo isto, não falo da aparência. Porque da aparência, somos desde pequenos ensinados como é importante mantê-la de forma agradável aos outros que nos rodeiam. Mas nunca ninguém nos ensina a cuidar do nosso psicológico. Esse assunto quase que é tabu para muitas pessoas. Já experimentaram dizer alguém que sofrem de problemas de ansiedade? Que sofrem de depressão? Que o trabalho ou os estudos vos levaram a um estado de burnout? As pessoas até parecem perder a cor da cara. E não por saberem o quão grave estas doenças são, mas sim porque não sabem nada acerca delas e as vêem como fraquezas. ''Sabes o que ouvi dizer? Tal demitiu-se porque entrou em burnout. Agora é tudo razão para ficarem em casa sem fazer nada. O que é burnout, sequer?'', ''Ai se eu chorasse cada vez que encontrasse um obstaculozinho na minha vida, já não tinha água no corpo.''

    Esta mentalidade está em todo o lado, infelizmente. Por isso, é que quando aparece alguém que vê, reconhece e percebe os teus problemas, existe aquele sentimento de surpresa, apesar de ser o mínimo. 

    Por isso, aqui deixo escrito que eu estou a tentar. E nestas tentativas não existem classificações de sucessos ou falhanços. Existem conquistas diárias. E, apesar de ter começado um dia não, ainda consegui esforçar-me para sair à rua e fazer alguma coisa. E isso é o suficiente para ser uma conquista diária. 

    Cuidem de vocês mesmos, especialmente nos tempos que correm. Mais ninguém o fará por vocês.

sábado, 11 de dezembro de 2021

To keep in mind

    Nem sei por onde começar. Apenas sei que só me apetece escrever, escrever e escrever. É tão fácil demonstrar o que sou, o que penso e o que sinto através da escrita. Mas no que toca em falar, parece que as palavras ficam presas na garganta e não se libertam.

    Ontem, na consulta, foi-me pedido que começasse um diário, para descrever o meu dia, nem que fosse apenas classificá-lo. Comecei e apercebi-me que não conseguia apenas descrever o meu dia com uma mera classificação. Assim que peguei na caneta, escrevi e transpus os meus pensamentos para o papel.

    Sempre fui mais fã de escrever em papel do que escrever em computador. É outra sensação, parece que os pensamentos até fluem melhor. Os sentimentos tornam-se tão racionais, que transpassam pelas sinapses todas até chegar ao nervo mais pequeno que segura na caneta. E traduzem-se em palavras. Aí, eu consigo compreender-me. Consigo ver a minha alma a nu, sem recalques, sem escudos, sem a escuridão do subconsciente. A única forma parecida de me sentir assim é quando toco violino. Escrita e música são as formas que mais me deixam vulnerável. Mas aquele vulnerável onde nos sentimos bem e leves. Onde percebemos que, mesmo vulnerável, nada nem ninguém nos pode magoar. 

    Penso que me foquei tanto em cumprir os meus objetivos mais profissionais, que me esqueci dos meus hobbies e o quanto eles me faziam bem. Sem rumo certo, sem um prazo definido ou a pressão em ser a melhor. É o que sinto ao escrever ou tocar violino. Em tempos, já foi o contrário. Mas porque sempre pus imensa pressão nos meus ombros. Sempre fui muito perfeccionista. Digo-vos por experiência própria, isso leva-vos ao fundo do poço. Sim, é importante termos ambições. Mas a linha que separa a ambição da obsessão é muito fina e frágil. É como se a ambição fosse um elástico. Nós esticamos sempre com o objetivo de obter melhores resultados, porque queremos sempre mais, nunca estamos satisfeitos. E, à medida que esticamos, o elástico vai enfraquecendo, ficando cada vez mais fino, lasso e frágil. Até que a ambição deixa de ser algo agradável, o elástico rebenta e aparece a obsessão. A sensação, quando isto acontece, é horrível. Porque deixamos de fazer as coisas por gosto e dedicação. Fazemo-las para mostrarmos que conseguimos mais e melhor. E a quem é que queremos mostrar isso? Aos outros, não a nós próprios. Então, deixamos de fazer as coisas por nós mesmos, fazemos para que os outros vejam. E quando eles não querem saber, o poço aparece à frente e é um instante até cairmos no poço da desmotivação e da não vontade. 

    A partir daqui, posso perceber que é importante focar-me, óbvio. Nada se faz sem foco e esforço. Mas tenho de ter calma. Calma na forma como realizo os meus objetivos e sonhos, quer sejam eles profissionais, quer sejam profissionais. O mais importante é fazer as coisas por mim e para demonstrar a mim própria que consigo fazer. Até porque, maior parte das vezes, não sabemos que conseguimos fazer algo até realmente o fazermos. Eu não sabia que conseguia perder 20 quilos sozinha, até o fazer. E são estas pequenas coisas, estes baby steps que devem orgulhar-nos e fazer-nos ter consciência que as coisas são para ser feitas com gosto e não para os outros verem. 

    Temos de parar de ligar ao que os outros pensam de nós e de pensar em manter sempre as aparências. Até no simples ato de chorar, temos a tendência de não gostar que ninguém o veja, para manter aquela aparência firme e perfeita. To keep in mind: ninguém é perfeito. Isto é para todos os perfeccionistas por aí. Ninguém. Esforcem-se para serem melhores do que no dia anterior, sim. Mas porque isso vos faz BEM, não porque querem ser perfeitos. 

    Não se esqueçam que para sermos saudáveis, precisamos de bem-estar mental, de saúde mental. E alguém consegue manter uma boa saúde mental se passa os dias a tentar ser perfeito? Nunca. Vejo agora que foi um dos pontos que destruiu a minha saúde mental. E não o vou permitir mais. Vou antes permitir-me ser humana, errar e falhar, não ser perfeita, ter 3746585 defeitos e saber que apesar desses defeitos, tenho ainda mais qualidades.  

    Por cada defeito que encontre, vou apontar duas qualidades. Daqui a amanhã até posso descobrir novas qualidades, quem sabe. E vai ser uma luta diária para não me autosabotar ao fazer críticas destrutivas sobre mim mesma. Mas eu sei que vou conseguir, posso ser perfeccionista, mas sou resiliente e dedicada. 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

A minha autoconfiança


  Sabem o que é sentir aquela pressão, na qual quase adivinham o desfecho do dia? Uma pressão que acaba em desilusão, sabem? Hoje senti essa pressão. A ansiedade já era esperada, mas tive aquele instinto que não ia correr como eu já imaginara antes. E, por fim, a desilusão de tudo. Quase como se a motivação desvanecesse aos poucos. Como se todo o gosto do que ia fazer no dia fugisse de mim e, por mais que eu corresse, não o conseguia agarrar.

    Se vos contasse a situação em si, provavelmente até diriam que estou a exagerar. E, se calhar, até estou. Mas cada um sabe o que sente. E eu sei o que senti no momento. Parecia que tinha acabado de se partir um vidro à minha frente. Como se a muralha caísse à minha volta e eu nem soubesse como apanhar os destroços e reconstruir. Foi isso que aconteceu à minha autoconfiança, hoje. E o medo de falhar volta, num abrir e fechar de olhos. 

   Confesso que sempre foi um dos meus maiores medos. Medo de falhar. Fui pesquisar e é designado de cacorrafiofobia (se soubessem as vezes que voltei à página para confirmar o nome!). Medo de falhar, medo do fracasso. Quantos de nós não paralisámos em situações importantes da nossa vida pelo medo de falhar? 

    A minha autoconfiança nunca foi a minha melhor amiga, especialmente em situações onde realmente preciso dela para mostrar as minhas capacidades. Porque, na verdade, eu não duvido das minhas capacidades. Eu duvido de mim própria, num todo. E só quando consigo desligar o “sos” na minha cabeça, é que consigo demonstrar as minhas capacidades. Quando isso acontece, tudo corre bem. Mas quando há mais obstáculos do que a minha própria mente à frente, as coisas dificultam-se. Até agora tenho conseguido dar a volta por cima, a resiliência toma conta de mim, sempre. Hoje, não foi um desses dias. E fico até um pouco desiludida comigo própria. Mas sei que também necessito de me permitir ser humana e falhar. Sei que também preciso de dizer um grande f*da-se e virar costas quando o meu coração já não aguenta. E há dias assim. Há dias que já só queres ir para casa. Largar tudo e ir para casa, onde podes ficar vulnerável, chorar, gritar, rir a chorar porque a tua mãe ou o teu namorado te fizeram rir. E por muito que tenha um certo sentimento de desilusão, hoje tenho que me permitir esquecer o que me deixou de confiança no 0, para amanhã poder ter a confiança no topo e voltar. 

    Amanhã é um dia novo, novas oportunidades aparecem sempre. Tudo o que se precisa, às vezes, é só mandar um belo f*da-se a tudo e virar costas. Tal e qual aquele “meme” let it burn. Deixem queimar. Amanhã recomeçam.

    E recomecem quantas vezes forem precisas. Num desses recomeços, eventualmente passarão ao próximo nível. As coisas resolvem-se melhor quando temos a cabeça fria. E, apesar de ser mais fácil desesperar e entrar em pânico, deve-se manter em mente que tudo se resolve, com calma e dedicação  (não sei se me estou a tentar convencer a vocês ou a mim própria).

    Por isso, aqui estou eu, a caminho de casa depois de ter falado com a minha mãe e com o meu namorado de lágrimas nos olhos. Mas sei que amanhã tudo se resolve. 

domingo, 28 de novembro de 2021

Respirem e não pirem

    Já respiraram hoje? É uma questão pertinente, apesar de aparentar ser um pouco estúpida. Perguntem-se a vocês mesmos. Já respiraram? 

    Quando faço esta questão, o que realmente quero perguntar é: já pararam um bocadinho para respirar? Obviamente que não me estou a referir ao comportamento inato. Respirar é completamente involuntário. Não pensamos antes de o fazer. E, por isso, vivemos sempre a mil.

    Às vezes, é necessário uma pausa. Olhar para um ponto isolado, parar de pensar e, simplesmente, respirar bem fundo. 

    Esta semana, descobri que respirava mal. É verdade, isso mesmo que acabaram de ler. E, muito provavelmente, vocês também respiram mal. Enchem os pulmões de ar pelo nariz, a caixa torácica aumenta e expulsamos todo o dióxido de carbono pela boca. Passamos uma vida inteira a pensar que é assim que se respira fundo. Isto é, quando é necessário o médico auscultar-nos, é assim. Mas isso não serve de nada quando a nossa mente nos foge. E o quanto ela nos foge!

    Foge para aqui e para ali. Foge para o medo. Foge para a raiva. Mente-nos dias e dias seguidos sobre o nosso valor. Mente-nos e enche-nos de inseguranças e paranoias descabidas. Isso tudo depressa se torna num sintoma fisiológico. 

    Já sentiram aquele ardor na garganta? As lágrimas a quererem sair dos olhos, ao deixarem um rasto no rosto, acompanhado com uma respiração acelerada e exagerada que depressa se torna numa hiperventilação. As palpitações a forçarem o sangue a ser bombardeado sem oxigénio suficiente para o nosso cérebro. E aquela sensação horrível. Aquela sensação que vamos morrer. Que a nossa vida acaba ali, como se estivéssemos a ter um ataque cardíaco. O peso na nuca, a dor na barriga e o vómito à porta dos lábios. A secura na boca, a audição que parece ir desvanecendo, assim como a nossa visão. A sensação de perda de sensibilidade nas pernas, como se já não soubesse andar. E, depois, o que mais temíamos. Só que não é. Não morremos. Perdemos os sentidos, porque a mente nos enganou e roubou a razão. E como? Como é que um pensamento acaba num cenário destes? 

    Despertamos deste pesadelo e parece que nem 5 minutos passaram. Mas sentimos como se tivessem sido horas e horas. O mundo à nossa volta continua a girar, as pessoas continuam a correr de um lado para o outro e muitas nem sequer se apercebem que estás ali. 

    Viver na correria é o que está a dar hoje em dia. E as pessoas esquecem-se de respirar. Ou melhor, esquecem-se de respirar em condições. Vivemos em contagem decrescente. A contar os minutos que faltam. A contar os minutos que faltam para aquilo que temos de fazer no trabalho, para o jantar estar pronto. Até para acordarmos, de manhã. Vivemos numa correria. 

    Se já vivemos no stress, como vamos aprender a tirar minutos do nosso escasso tempo, que descontamos aos poucos nas atividades que tentamos inserir em 24h, para respirar?

    Nunca ninguém me tinha ensinado a respirar, até esta semana. E posso dizer que penso que o meu coração e os meus pulmões estão agradecidos. 

    Respirem!


sábado, 27 de novembro de 2021

Fazer Reset


     Hoje, decidi voltar a escrever. Decidi voltar a contar, a expor um pouco da minha alma, sem ponto final (mas sempre com pontuação, não sou Saramago). Mas não foi apenas hoje. Tenho retomado o gosto em certas atividades que me davam tanta alegria no passado. Mas passei demasiado tempo chateada, magoada, ressentida. Porquê? Nem sei bem explicar. Mas saberei, em breve. 

    Por enquanto, apenas estou a trabalhar nos meus pensamentos. Parece fácil, ao dizer assim, mas não é. De todo! Estamos habituados a varrê-los para debaixo do tapete. Realmente, a curto prazo, é mais simples do que lidar com eles. A curto prazo...

    Então, escrevo só por escrever. Só para sentir o gosto que é registar a minha alma nas palavras. Até porque escrever sempre foi mais fácil para mim. Mais fácil do que falar. E, às vezes, nem precisa de fazer sentido. Não precisa de ser uma história com princípio, meio e fim. Até porque esta história já vai a meio. É um comboio já em viagem. Mas não é por essa razão que não é válida.

    Confesso que sinto uma certa ansiedade. Mas tenho noção que é aquela ansiedade boa. A ansiedade que me faz voltar a ter motivação. A ansiedade que me faz voltar a gostar destas pequenas coisas. Nem tudo pode ser mau, naquilo que aprendemos, nas nossas experiências do passado. E, claro, há sempre um tempo de cura. Mas, por alguma razão, esse tempo de cura quase parece um lapso de tempo na nossa vida, porque investimos tanto tempo nos nossos pensamentos negativos e nos nossos ressentimentos. Investimos tanto tempo na mágoa e na dor. Investimos tanto tempo no que nos faz mal que quase nem nos damos oportunidade de curar. E, quando damos conta, temos a vida passada. E porquê? Porquê dar tanta importância a traumas e más experiências, enquanto nos esquecemos de viver?

    E, assim, perdemos o nosso tempo. Perdemos o nosso tempo connosco mesmos. Perdemos o nosso tempo com as pessoas que amamos. Perdemos o nosso tempo sem fazer realmente aquilo que nos faz levantar da cama. Tornámo-nos numa geração de existência e, quando quisermos contar aos mais novos o que mais nos dava prazer na vida, sentimos aquela nostalgia, porque devíamos ter investido mais tempo nesses detalhes do que na toxicidade.

    Mas nada disto é simples. Não. E vamos escolher sempre continuar magoados. E, enquanto continuamos magoados, magoamos os outros. E tudo isto vira ciclo. Faz parte de nós enquanto seres humanos.

    Contudo, no meio deste ciclo, nunca nos apercebemos que já estivemos nas duas faces da moeda. Esta semana disseram-me algo que é importante ter em mente, pelo menos, para mim. ''Ele, provavelmente, fez o melhor que sabia e é algo que tens de aceitar''. É verdade. Mas ainda dói. Porque continuo a agarrar-me à mágoa, quase como se fosse um traço de personalidade já. E o facto de me doer a ouvir isto, quase como se me soasse a algo para relativizar os erros dos outros, faz-me entender, ao mesmo tempo, que é verdade. Basta pensarem nas vossas atitudes. Maior parte da nossa vida passamos a ter comportamentos que magoam os outros. E não é de propósito. Muitas vezes, nem damos conta. Por que é que haveria de ser diferente no sentido contrário? Nem sequer conseguimos ler pensamentos para entender as intenções dos outros. Por isso, temos de chegar a um ponto em que aceitamos que, provavelmente, quem nos magoou fez o melhor que sabia. Assim como nós, quando magoamos alguém.

    Este autocontrolo é escasso. Mais do que possam imaginar. Em cada um de nós, há uma voz interior que nos faz ser ressentidos e vingativos. Leva anos até calarmos essa voz interior. E está tudo bem. 

    O meu conselho? Façam um reset de vez em quando. Fazer reset é terapêutico. E não precisamos de um botão especial para isso. Apenas deixem ir todo o peso que vos prende ao que não vos faz bem. São coisas que começam em pequenos passos, mas que levam a grandes resultados. E, sim, às vezes esse botão de reset está encravado. Mas há sempre alguém que nos ajuda a dar um empurrão.

    E a nossa vida torna-se muito mais colorida a partir daí.