sábado, 22 de janeiro de 2022

17 horas e 5 minutos

    Passado um mês da última publicação, voltei. Confesso que não têm sido dias, semanas fáceis, ainda para mais, é época de exames. Estava com muita vontade de voltar a desistir do blogue.

O porquê de estar a escrever hoje? Ainda não me sinto preparada para expor a razão por completo. Tive umas recaídas e senti novas emoções, experienciei novos pensamentos negativos.

O problema? Não eram assim tão novos. Apenas eram pensamentos que eu já tinha experienciado, mas que reprimia bastante. Não me estava a permitir sentir estas emoções e deixei arrastar até chegar à gota de água.

Fui autodestrutiva e quando tomei consciência disso, percebi que precisava de me reeducar. De voltar a sentir velhos hábitos de novas formas. E, claro, não podia punir-me por razões que são humanas. Isto é, não posso estar constantemente a criticar-me de uma forma destrutiva, a inferiorizar-me e muito menos a comparar-me. 

Cada um é como é e quando chegar o meu dia da aceitação, vou celebrar imenso. Agora, tenho de me focar na cura, na recuperação, em mim própria e na minha saúde.

Se é de um dia para o outro? Infelizmente, não. Vão haver dias de autocontrolo e autocuidado e vão haver dias de descontrolo total e miseráveis. Mas, depois de hoje, sinto-me preparada para tudo. 

Essencialmente, estou orgulhosa de mim mesma por ter conseguido transformar um pensamento negativo, em estado emocional, num pensamento racional. Só temos de arranjar as nossas estratégias de distração. E eu sei que escrevi "só", mas é mais difícil do que parece. E nem sempre as mesmas estratégias vão ajudar. Mas faz parte da recuperação evoluirmos, estarmos em constante mudança.

O meu cérebro não tem parado um segundo, parece uma montanha-russa num parque de diversões apinhado de crianças entusiasmadas para sentir aquela adrenalina. Ele procura a menina chamada serotonina, que anda escondida algures. E cabe-me a mim ajudá-lo a encontrá-la. É o que eu vou fazer, passinho a passinho. E o primeiro passo será permitir-me sentir todas as emoções e não reprimi-las, para que elas, um dia mais tarde, não voltem a tocar à campainha. Assim, vou-me interiorizando dos pensamentos emocionais e vou diminuindo o efeito que eles têm em mim. É uma aprendizagem, mas é necessário, se quero cuidar de mim e vencer estes demónios insistentes.

Tenho de pensar na lógica do sistema imunitário. Quando o nosso sangue está em contacto com uma substância desconhecida, começa a produzir os soldados anticorpos para nos defenderem. O engraçado é que, uma vez que essa batalha está ganha, os anticorpos não vão embora completamente, eles vão descansar apenas. Quando voltamos a sentir essa mesma substância estranha, as células de memória acionam o alarme e estes anticorpos estão melhor preparados para lutar, por já conhecerem a substância. E vão fortalecendo cada vez mais.

Só tenho de pensar que eu sou um anticorpo em constante metamorfose, a lutar com emoções estranhas, já sentidas antes, e que vou fortalecendo nesta luta, com dedicação e esforço. E quando faltar a motivação, tenho as ferramentas certas, os meus ibuprofenos e paracetamois, que me ajudam nesta luta diária e que são indispensáveis.

Há uma frase da minha melhor amiga que não me sai da cabeça: "És mais do que o teu diagnóstico, ele não te define enquanto pessoa". E é esta frase que eu vou ter em mente, será o meu mantra, mesmo nos piores dias. 

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